Tuesday, January 15, 2013

"If you want to enjoy a mango, it is of no use knowing the tree. Eat and be happy"

Cheguei no estúdio hoje às 7:15 da manhã. Bom dia, "how are you?" Comecei minha prática colocando uma intenção maior: a saúde, a passagem de Martin Umanoff. No fim de semana, fui preparada para um pré-funeral, mas ali não encontrei morte. Pelo contrário, compartilhei muita vida e muito amor. Sua família não tem uma história de rosas, mas nesse fim de semana, todos se reconheceram como nunca. "Não posso mais ter outros derrames para juntá-los", Martin nos disse com dificuldade e precisão.

A cada ocean sound, tentava me concentrar no movimento, mas meu corpo ditado pela minha mente trazia um julgamento, um bloqueio. "Como é difícil." Pausei e relembrei minha intenção e adicionei uma mais: "não julgarás".

A Martin foram dadas três opções de alimentação: um tubo em sua narina; uma micro-cirurgia para alimentá-lo diretamente no estômago; ou um copo d'água, suco, um pouco de sorvete para saciar sua  sede e fome.

A esse ponto, tentava distribuir a força entre meus braços, abdômen e pernas. Chaturanga - dandasana pose.   Uma vez em cada saudação ao sol A e três vezes em cada saudação ao Sol B. Cinco vezes cada saudação. 5+15 =  não dou conta.

Mais um vez me lembro de minha intenção:  "força Martin", "não julgarás." Continuo e as poses ficam mais fáceis, sinto um prazer enorme em alongar, perceber onde meu corpo é mais longo e mais curto. Quando chega a hora de mais duas vinyasas, as faço com mais tranquilidade e me sinto mais forte.

A grande prova de paciência começa depois da aula. Nunca há vagas. Desisto depois de dois carros pegarem uma vaga na minha frente. Começo a ler dentro do carro: "The Autobiography of an Indian Monk." Absorta com a linguagem fácil e cultura estranha de Shri Purohit Swami em 1897, me assusto com a buzina de um carro ao meu lado. Ligo o carro como que para responder o chamado. Continuo a ler: "This whole world is a myth, Brahama alone is real."

Uma mulher com o cabelo molhado pára ao lado do meu carro e faz gestos para falar comigo. Abaixo o vidro e ela me pede então dois dólares para o metrô. Ela tremia de frio, mas sem sofrimento. Dei.

Swami começa a analisar o quanto anos de estudo, tanto conhecimento intelectual não lhe trazem paz. Lembra-se de seu pai falar: "If you want to eat a mango, it is of no use knowing the tree". Eat and be happy."

O telefone toca  e espero notícias do meu "avô-in-law." Era seu neto para me dizer que havia esquecido no dia anterior de contar que sua avó havia no meio da conversa sobre as três opções de Martin, feito uma pausa e dito: eu realmente gosto de sua esposa.

I'm happy. I will eat the mango; forget the tree. Full stop.




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